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Estudo projeta demanda do transporte de passageiros para 2050 28 de setembro de 2014

FonteMobilize Brasil |  AutorNatália Gonçalves*  |  Postado em26 de setembro de 2014

Estudo projeta demanda do transporte de passageiro

Estudo projeta demanda do transporte de passageiros para 205

 

 

Foi publicado em 19 de agosto de 2014, pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) o Estudo de Demanda de Energia 2050, que junto com outros quatro documentos compõem o Plano Nacional de Energia 2050. O estudo apresenta a evolução das demandas dos energéticos aderente a um cenário econômico de longo prazo.

 

No que tange ao setor de transporte de passageiros, a demanda de energia é fortemente influenciada pela evolução do transporte rodoviário e, particularmente, pela frota de veículos leves. 

 

Neste ponto, destaca-se o crescimento do licenciamento de veículos leves a taxa média anual de 2,4% ao ano, impulsionado por fatores tais como: aumento da renda da população, acesso ao crédito e redução da taxa de desemprego, o que resulta numa frota de 130 milhões de unidades ao final do período de projeção. 

 

Como resultado, o indicador de motorização, que mede o número de habitantes por veículo, passa de 6,1, em 2010, para 1,7 em 2050. Isso significa que estaremos mais próximos da motorização de países desenvolvidos, como Reino Unido (1,7 habitante /veículo) e EUA (1,6 habitante/veículo).

 

Este fato repercute no aumento da participação do transporte individual na matriz de atividade do transporte de passageiros, que passa de 53%, em 2013, para 55%, em 2050, em detrimento do transporte coletivo, cuja participação de 39% é reduzida para 34% neste mesmo período. Os demais modais (aquaviário, ferroviário e aeroviário) ampliam a participação atual de 8% para cerca de 11% em 2050 (Figura 1).

 

Figura 1: Distribuição Modal do Transporte de Passageiros (2013 a 2050). Fonte: EPE, 2014.

  

É de saltar aos olhos, portanto, dois grandes desafios nas próximas décadas: o suprimento da demanda de energia no transporte de passageiros e a gestão da mobilidade urbana. 

 

No primeiro caso, a forte penetração de tecnologia de veículos elétricos e híbridos na frota responde, em parte, este desafio através de relevantes ganhos de eficiência. Observa-se que, de acordo com as hipóteses adotadas no estudo, já em 2045 o licenciamento de veículos a combustão interna seria igual à zero (Figura 2).

 

Figura 2: Penetração de Tecnologias nas Vendas de Veículos Leves (2012 a 2050). Nota: CI (combustão interna), VE (veículo elétrico). Fonte: EPE, 2014.

 

No segundo caso, o estudo considera uma perspectiva de ampliação dos investimentos em transporte público e de ações políticas que melhorem o trânsito das cidades, além de diminuição na taxa de utilização de uso do transporte individual. 

 

No entanto, não se esconde as incertezas relacionadas ao tema, tais como o potencial de penetração de alternativas de mobilidade urbana no longo prazo, na qual se inclui viagens não motorizadas, BRT´s e BRS´s, trens, teletrabalho etc. Além disso, terá papel crucial o desenvolvimento e aplicação dos Planos de Mobilidade Urbana pelos municípios, segundo a Lei nº 12.587/2012, que institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana.

 

É importante ressaltar que o estudo em questão não tem o objetivo de propor soluções de mobilidade urbana, mas sim de apresentar um cenário possível para a evolução do consumo de energia nos setores da economia, dentre os quais o transporte de passageiros. No entanto, por ser uma importante referência no planejamento de longo prazo no Brasil, o PNE 2050 torna-se um insumo para a reflexão também sobre o tema de mobilidade, logística, desenvolvimento social e ocupação espacial. 

 

Vale, portanto, indagar se este é o futuro que a sociedade brasileira deseja, suas consequências e quais os mecanismos de mudanças disponíveis.

 

Bibliografia:

Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 2014. Série Estudos da Demanda de Energia. Nota Técnica DEA 13/14. Demanda de Energia 2050. Rio de Janeiro, Agosto de 2014.

 

*Natália Gonçalves é economista especializada em Demanda de Energia em Transporte de Passageiros. Este artigo foi enviado pela autora como uma colaboração ao Mobilize Brasil

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