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Carta do Presidente do CAU/SP


 
Criado em 2013, o Seminário Nacional de Mobilidade Urbana chega, em 2014, à sua fase internacional. Ele tornou-se uma referência na discussão e equacionamento desse que é um dos principais problemas de nossas urbes e que, até há poucos anos, era “privilégio” apenas das grandes cidades.
 
A interrupção no investimento e consequente desmonte de nossas ferrovias, o acesso fácil à aquisição de automóveis, alavancado pela redução do IPI e pelo preço subsidiado da gasolina, foi uma bomba com efeito retardado que atingiu também as cidades de porte médio, que se encontravam despreparadas para tal. 
 
O que vemos hoje, mesmo em cidades com menos de 200 mil habitantes, é um transporte público desaparelhado para atender com dignidade a população, falta de investimentos e pouca vontade política por parte de nossos governantes em criar políticas públicas que encarem de frente o problema. O resultado disso é a avalanche de automóveis nas ruas, a falta de espaços para pedestres e bicicletas, e um ar irrespirável por conta dos resíduos despejados pelos canos de descarga dos veículos.
 
Discutir um tema dessa magnitude é de fundamental importância para encontrarmos soluções, que certamente não se resumem a adotar modais diferentes de transportes para nossas cidades, mas também a repensar o uso e ocupação do solo e a reorganização dos nossos espaços públicos. Dessa maneira, poderemos encurtar as distâncias entre moradia e local de trabalho, evitar a ampliação indiscriminada do perímetro urbano dos municípios apenas para atender interesses econômicos, bem como criar novos núcleos comerciais e de serviços, de modo a fixar a população em seu bairro ou região. 
 
Participar do Seminário Internacional de Mobilidade Urbana é um dever cívico da população e quase uma obrigação para arquitetos, engenheiros e gestores públicos, pois de discussões desse quilate podem e devem surgir soluções que viabilizem nossas cidades no terceiro milênio.
 
 
 
 
 
 

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